terça-feira, 18 de novembro de 2008

O amanhã


Talvez eu tenha esquecido que as certezas não são tão certas assim, que o doce um dia se torna amargo e que a chuva uma hora passa. Pensar que tudo é eterno é bem mais simples e talvez medíocre. O medo torna a me acompanhar freqüentemente, e aquela menina tão forte acaba sendo cada vez mais desmascarada. Minhas forças acabaram, meu remédio esta no fim e minhas narinas trancadas e eu ainda estou aqui a pensar em tudo que pode ser o certo. Certa vez juramos amor eterno, certo dia juramos felicidade plena e sinceramente eu ainda tento cumprir minha parte do juramento, eu tento, eu espero eu venero. Mas as coisas não são tão simples como pensamos, não tão fácil como eu imaginei e não tão bela como eu sonhei, há momentos em que desistir de lutar já não se torna tão vergonhoso assim, se torna ético. Já em outros lutar é garantia de consciência limpa e vestígios de esperanças. Um dia tudo se renova, um dia as lagrimas limparam o sangue que deixei respingar nas minhas tardes tortuosas, um dia a chuva volta e leva com ela toda aquela substancia trazidas com a abstinência de você, eu ainda sinto sua falta, você ainda é minha melhor droga. Nas tardes deitadas sobre uma cama com um cigarro na boca e um cinzeiro no colo, vejo quase que uma luta livre e desordenada dos meus pensamentos que ao mesmo tempo que se estupram estão se beijando. É tudo tão confuso, é tudo tão disperso, mas não desisto de crer no amanhã, tento esconder que esse mesmo amanhã esta cada vez mais longe do que eu possa imaginar. Talvez o amanhã que eu tanto temo e devo, pode ser o ontem que eu esqueci ou ainda o hoje que eu vivi, mas isso não ameniza aquelas dúvidas e medo de sentir outro corpo novamente. E se você entender? E se não me esquecer? E se eu me conformar, o certo continua tão dolorido e o medo do amanha não diminui a vontade de viver dessa forma perigosa e diferenciada. Mas repito, você ainda é minha melhor droga.

7 comentários:

Euzer Lopes disse...

Que viagem, hein?
Mas, não ligue... O eterno dura o exato tempo que precisa, até uma nova realidade eterna tome conta de seus melhores atos.

Flávio Souza disse...

Eu gostei especialmente da passagem na qual vc fala que o desistir, as vezes, é ético.

De fato, você está certa! Apesar de sempre me virar contra a faca que me espera!

Gostei do texto! Parabéns!

Ellen Regina - facetasdemim disse...

a-d-o-r-e-i a sua postagem!
em algum momento da minha vida também achei q deixar de lutar seria mais ético... suas palavras de me passaram muito sentimento!

Igor disse...

pois é as coisas são muito difíceis,eu não imagina ser tanto assim,mas o problema as vezes está nos outros sabe,as vezes é ruim ser bom demais,ai agente acaba ficando para traz.Adorei seu blog,e obrigado por comentar no meu hehe Bjus!!!

Paulão Fardadão Cheio de Bala disse...

Deus e Diabo, yin e yang, essas coisas...

Bruna Schuch disse...

Gostei do seu post, gostei das cores do seu blog e gostei muito das fotos (são suas?ou algumas são retiradas da net mesmo?.

Como você disse no final do seu texto: "... e o medo do amanha não diminui a vontade de viver dessa forma perigosa e diferenciada. Mas repito, você ainda é minha melhor droga..."

Eu adoro não saber o que vai acontecer amanhã. Gosto de viver o "nada sei dessa vida, vivo sem saber"

beijão,

www.pararealidade.blogspot.com

Ana Paula disse...

Desilusão: seria isso? Seu texto (ou desabafo, se preferir) possui uma subjetividade fascinante. Nem mesmo sei se entendi. Mas gosto de textos assim, meio misteriosos, com abuso de entrelinhas. Tinha um blog p/ isso, agora tenho um mais "racional".
Quanto ao texto, o melhor da vida é o imprevisível. Tenha sempre em mente que "tudo passa". Essa é uma das poucas previsões inequívocas.