sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Um real abstrato


Menina de vários amores, paixões ou até mesmo compaixões, aquela que ama e quando se engana sempre diz que não era amor. Menina fácil de esquecer, vários perfumes, várias mascaras, vários delírios. Menina que se engana, engana os outros e a si mesma. Não tenho sentimentos verdadeiros, sou menina de sentidos obscuros, ora apaixonada, ora perdoada, mas nunca desmascarada. Suas mascaras amplas sempre a disfarça, ontem feliz, hoje em gargalhadas, mesmo com aquele aperto no coração, seu fingimento não deixa transparecer, aquela lagrima derramada, por ele, por você, por qualquer um. Menina dos olhos claros traçando o impossível, sente-se diferente e acima de qualquer um, no seu quarto, apenas no seu quarto. Vícios declarados, olhares disfarçados, amores inacabados e livros pré começados, sua vida é vivida em vão, no compasso dessa dança ela perdeu o próprio chão, mas para ela o divertido mesmo é voar, mesmo sem saber, mesmo sem querer, mesmo ainda com os pés no chão. Menina que se diz cansada para parecer mais forte, cansada disso, daquilo, do ontem, do hoje e até mesmo do daqui a pouco. A olheira já está profunda, mas o sono ainda não chegou e pelo visto, demorará a chegar.

sábado, 29 de novembro de 2008

Versos inversos


Ando sentindo medo do meu passado voltando. As coisas tornaram sem graça e sem gosto, não me sinto empolgada e nem ao menos ansiosa. Mas eu queria que chegasse logo o daqui a pouco. Ando sentindo medo de olhar aqueles olhos faiscantes que acabaram apagando o brilho que existia no meu. Caminhar, tropeçar, cair, levantar e caminhar novamente, é isso que ando fazendo e refazendo. Andei escrevendo asneiras, andei perdendo as estribeiras, andei para respirar novos ares, andei só por andar. Sinto saudades dos bares mais sujos, das doses mais fortes e do perigo da noite, sinto saudade de quando eu falava verdades e de quando omitia duvidas, sinto saudade das conversas mais loucas e dos papos mais sensatos, sinto saudade de quando eu realmente sentia saudade. Eu acabei de tornar as coisas mais difíceis, me peguei pensando em você, acabei esquecendo de mim. Andei me perdendo nessa noite sem estrelas, eu sorri para o estranho e acabei tropeçando. Me peguei pensando em ti, em teus cachos cortados e nos tênis furados. Andei sentido sua falta, peguei sua carta, seus presentes e sua blusa, deitei na minha cama, acendi mais um cigarro. Seu cheiro ainda esta no meu quarto, ainda esta em mim e nas minhas roupas. Eu havia esquecido que sonhar contigo torna as coisas mais fáceis, mas acordar sem você trás lagrimas, eu não chorei quando acordei, eu não sorri quando dormi. Deitei-me na cama novamente, escrevi outra carta pra ti, mais uma que nunca entregarei. Me perdi nas minhas próprias palavras, mergulhei e me afoguei em lagrimas. Eu só queria parar de falar de você, de pensar em nós dois e de esperar o daqui a pouco. E você ainda me faz bem.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Sinceramente eu sempre menti


Isso não importa mais, honestamente tenho duvidas se algum dia chegou a importar. E eu não sinto raiva de ti, ainda, sinto pena. Aquelas tardes nunca voltarão e se um dia voltarem, não espere sinceridade da minha parte, seguirei o seu jogo de farsa e egoísmo. E não se esqueça, aquela sua mascara de uma menina fria e cínica está fora do lugar e prestes a cair, pena que não estarei na platéia para ver tão grandioso espetáculo.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

O amanhã


Talvez eu tenha esquecido que as certezas não são tão certas assim, que o doce um dia se torna amargo e que a chuva uma hora passa. Pensar que tudo é eterno é bem mais simples e talvez medíocre. O medo torna a me acompanhar freqüentemente, e aquela menina tão forte acaba sendo cada vez mais desmascarada. Minhas forças acabaram, meu remédio esta no fim e minhas narinas trancadas e eu ainda estou aqui a pensar em tudo que pode ser o certo. Certa vez juramos amor eterno, certo dia juramos felicidade plena e sinceramente eu ainda tento cumprir minha parte do juramento, eu tento, eu espero eu venero. Mas as coisas não são tão simples como pensamos, não tão fácil como eu imaginei e não tão bela como eu sonhei, há momentos em que desistir de lutar já não se torna tão vergonhoso assim, se torna ético. Já em outros lutar é garantia de consciência limpa e vestígios de esperanças. Um dia tudo se renova, um dia as lagrimas limparam o sangue que deixei respingar nas minhas tardes tortuosas, um dia a chuva volta e leva com ela toda aquela substancia trazidas com a abstinência de você, eu ainda sinto sua falta, você ainda é minha melhor droga. Nas tardes deitadas sobre uma cama com um cigarro na boca e um cinzeiro no colo, vejo quase que uma luta livre e desordenada dos meus pensamentos que ao mesmo tempo que se estupram estão se beijando. É tudo tão confuso, é tudo tão disperso, mas não desisto de crer no amanhã, tento esconder que esse mesmo amanhã esta cada vez mais longe do que eu possa imaginar. Talvez o amanhã que eu tanto temo e devo, pode ser o ontem que eu esqueci ou ainda o hoje que eu vivi, mas isso não ameniza aquelas dúvidas e medo de sentir outro corpo novamente. E se você entender? E se não me esquecer? E se eu me conformar, o certo continua tão dolorido e o medo do amanha não diminui a vontade de viver dessa forma perigosa e diferenciada. Mas repito, você ainda é minha melhor droga.

domingo, 9 de novembro de 2008

Ao tom da insegurança


Ela nunca deixou de acreditar que aquele beijo ela sentiria novamente, ela sempre sabia que estava certa ao esperar e acreditar naquela voz que lhe fazia permanecer ali esperando. A sociedade lhe impõe aquilo o que é errado, te induz a fazer tudo o que diz ser o certo, mas a lagrima corre nos olhos e ela não consegue aceitar que a coisa certa a fazer, nos faz chorar. Ela sentia-se livre quando fazia o que estava com vontade, e vai ser assim de hoje em diante, dizer que ela não esta se valorizando é mera ignorância, grande engano, ela se valoriza sim, ela valoriza o seu sorriso, o seu bem-estar, ela pensa nela assim como pensa na sua felicidade e em pensar tanto nisso é que cede aqueles beijos e prazeres de amor, de carinho e ela não se engana nisso. A sensação de ser abraçada e ouvir palavras de amor, aquele eu te amo profundo, numa tonalidade diferente –aquela voz baixa e fraca de sair, num tom suave e um tanto quando inseguro. Ela tinha esquecido que o coração parece saltar pela boca, que os pés gelam, as mãos esquentam e o calafrio aumenta. O amor é assim. Tão tola ela se achava, mas tão desejada se sentia. Ela sabe que ele não a engana, ela sabe que ele é o idealismo conversado nas aulas de português, ela sabe que nada é tão perfeito, que nada é perfeito, exceto aquele seu amor que viverá(e vive) com aquele anjo. Mas afinal anjos existem?

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Tão proibidas quanto os pensamentos de amor é


O sono extremo que se alinha mutuamente com a imensa vontade de aspirar aquela tão cobiçada substancia tóxica, isso se torna mais um refúgio inadequadamente adequado, uma fuga talvez, para escapar da ausência incômoda de pensamentos vazios e talvez dos cheios e conceituados também, quero encontrar um raio iluminado de substâncias tão proibidas quanto a minha enorme vontade de explodir todos os meus sentidos inesperados, nos quais eu consisto em viver. Ao aspirar aquele pó ardente sinto como se tivesse te matando um pouco aqui dentro de mim, não sentia o amor, não sentia o sofrer, e sim o querer, o querer te explodir, o querer de magoar, o querer me vingar. As tardes que passei ao seu lado não passaram de tardes de abstinência de sentidos, era tudo tão comum que eu nem havia percebido que a falsidade, meu caro, ali reinava. Mas ao mesmo tempo, eu não consigo te ignorar simplesmente, eu não consigo te odiar quando te olho nos olhos e percebo que aquele olhar ainda não se perdeu e que no fundo dele ainda brilha aquela magia inexplicável, mas enquanto o dia não passa, enquanto o pó não acaba, enquanto o café não esfria, eu lembrarei de ti e sentirei uma leve brusca vontade de vomitar sangue novamente. O fazer tão bem já não entra em ênfase nesse texto tão medíocre quanto minha forma de sempre confiar em ti.

domingo, 5 de outubro de 2008

Na beira do abismo.


Não tão digno o poder de uma palavra, do outro, não tão digno o poder de uma ação alheia, não tão digno o olhar indignado. Nada é digno ao ver daqueles olhos famintos, ela queria apenas um motivo para tal autodestruição, mas todos negavam se a percebeu que ela só queria um motivo, banal, qualquer, para sumir desse mundo, num tempo chamado ‘para sempre’. Apenas um motivo pra sentir raiva, apenas um motivo para enxugar suas lagrimas, apenas um motivo para ergue-se sem bambear novamente. Suas expectativas de vida eram tão frustrantes quanto aqueles dizeres de carinho, aquilo lhe traziam náuseas, lagrimas salgadas e ácidas, sua esperança nunca seguiu a regra de ser a ultima a morrer, para ela era a ultima a nascer, isso se não houvesse um aborto antes. Seu discurso estava cansando, não era de boa moça, não era de má pessoa, e muito menos de ignorante, era apenas de uma menina semi-juvenil falida e desanimada, pelo menos é isso que iriam dizer, se vissem aquelas lagrimas escorrendo em sua maquiagem um tanto quanto pesada. E o choro realmente era de uma menina mimada e extremamente infantil, ela já não tinha mais vergonha disso, tinha perdido suas mascaras e cansado de procurar, então se uma pessoa já havia se afastado e ela não morreu; que mal teria de permanecer sozinha? A cada passo, a cada olhada para o nada o abismo se afundava e ela cada vez mais na beira, não notava tamanho perigo que havia ingressado. O voar para ela já não era mais um sonho de criança, o estar leve e segura não significa alegria e confiança. A cada passo ela esquecia que nunca aprendera a voar.